Reforma, o caminho da restauração

1. Na Idade Média a Igreja havia se desviado da Palavra e como resultado, muitas doutrinas estranhas foram incorporadas: A salvação pelas obras, a veneração de imagens, a intercessão dos santos, a mediação de Maria, o purgatório, a tradição, o celibato compulsório, e muitas outras.

2. Nesse tempo, Deus levantou Lutero e ele no dia 31 de outubro de 1517 fixou nas Portas da Igreja de Wittenberg as 95 teses contra das indulgências. Lutero demonstrou duas atitudes: Primeiro, a integridade ao texto. A justificação pela fé não pode curvar-se à venda de indulgências; segundo, a relevância cultural. Lutero expõe suas teses no lugar certo e na hora certa. Lutero fazia exegese do texto e exegese da cultura. Ele lia o texto e lia o povo. Ele era íntegro e também relevante.

3. O rei Ezequias também foi um reformador. A história de Judá tem um antes e um depois dele. Ninguém buscou a Deus como ele nem antes nem depois dele (2Rs 18.5). Foi a atitude desse líder que impediu a tragédia da invasão assíria em Jerusalém. Quando o povo é levado a ouvir a Deus, ele é poupado da chibata. Quem não escuta a voz da graça, precisa ouvir o estalido do chicote. A vida de Ezequias tem lições importantes para nos ensinar:

I. DISPOE-SE A ANDAR COM DEUS NUM TEMPO EM QUE OS DEMAIS ESTAVAM EM DECADÊNCIA ESPIRITUAL – (2Rs 18.9,10,12)

1. Ezequias nos ensina que o homem não é produto do meio como queria John Locke – A sociedade de Israel e de Judá estava em total decadência, entregue a apostasia religiosa e à decadência moral. Mas, Ezequias se dispõe a andar com Deus e fazer aliança com ele. Você pode escolher ser diferente daqueles que vivem ao seu redor.

2. Ezequias não tinha testemunho dos de fora – Foi durante o seu governo que o rei da Assíria levou cativo o reino do norte por causa de suas muitas transgressões. Enquanto os irmãos nortistas estavam vendidos ao pecado, ele estava buscando a Deus.

3. Hoje também vivemos numa sociedade decadente – Os valores absolutos estão sendo tripudiados. A verdade está sendo escarnecida. A família está sendo bombardeada. O casamento ridicularizado. A honestidade está se tornando um valor em extinção. A pureza moral está desaparecendo. A piedade está sendo desprezada. Nesta semana (03/11/06), explodiu nos Estados Unidos mais um escândalo entre os evangélicos. O presidente da Associação Nacional dos Evangélicos, uma entidade que lidera 30 milhões de evangélicos, um pastor da Igreja Nova Vida, casado, pai de cinco filhos, assessor do presidente Bush e um dos maiores opositores da legalização do casamento gay, foi denunciado de estar envolvido num relacionamento homossexual com um garoto de programa. Embora negue a relação, já admitiu que fazia massagem e comprava drogas desse cidadão.

II. DISPOE-SE A ANDAR COM DEUS MESMO SEM EXEMPLO DENTRO DA SUA CASA – (2Rs 18.1)

1. Ezequias não tinha testemunho dos de dentro – Seu pai, o rei Acaz, era um homem ímpio, idólatra, perverso, e assassino. Ele queimou seus próprios filhos em altares pagãos. Ele substituiu o altar da Casa de Deus pelo altar de um templo pagão. Ele misturou a fé com o paganismo. Ezequias não tinha um bom modelo dentro de casa. Seu pai era um monstro. Mas ele escolheu ser diferente. Ele rompeu com sua tradição familiar. Ele deixou os maus caminhos do seu pai. Ele não seguiu os passos do pai.

2. Nós não escolhemos nossa família, mas podemos escolher nossas atitudes e nosso rumo – Nossa família não é o que queremos, mas nós podemos escolher não andar no erro dos nossos pais. Ilustração: Os dois irmãos que tinham um pai bêbado. Um venceu na vida, o outro foi preso. Um repórter perguntou a ambos: Por que? A resposta foi a mesma.

III. DISPÕE-SE A LIDERAR SEU POVO NUMA REFORMA RELIGIOSA – (2Cr 29.2-5)

1. Uma reforma de vida

Ezequias fez o que era reto perante o Senhor (29.2). Ele fez aliança com Deus (29.10). Ele confiou no Senhor (2Rs 18.5). Em tempos de prova ele exortou o povo a pôr a sua confiança em Deus (32.7,8). Ele apegou-se a Deus como um homem piedoso e não deixou de segui-lo, guardando os mandamentos de Deus (2Rs 18.6). A Bíblia diz que nenhum dos reis de Judá confiou tanto no Senhor como ele (2Rs 18.5).

2. Uma reforma da Casa de Deus

1) Quebrou os ídolos (2Rs 18.4) – Deus abomina a idolatria. Ele rompeu com o que estava errado dentro da Casa de Deus. Ele fez uma faxina dentro da Casa de Deus. Ele, como Neemias, jogou os móveis de Tobias para fora da Casa de Deus. Ezequias fez em pedaços a serpente de bronze que Moisés fizera (2Rs 18.4). Ele não promoveu no seu reino o misticismo religioso. Hoje, há muitas práticas estranhas dentro dos templos cristãos. O culto precisa ser bíblico senão será anátema. Deus não aceita fogo estranho.

2) Tirou toda imundícia da Casa de Deus (2Cr 29.5) – A Casa de Deus estava cheia de ídolos, de altares pagãos. Introduziram coisas estranhas ao culto. Práticas pagãs foram introduzidas. O culto tinha perdido sua pureza. O sincretismo religioso misturava paganismo com o culto a Deus. Isso era abominação para Deus. Isso levou o reino do norte ao cativeiro. O avivamento começa com a purificação (2Cr 7,14; Rm 12.1,2). Deus não habita em santuários feitos por mãos. O nosso corpo é o templo do Espírito Santo. Precisamos preparar este santuário para que Cristo habite plenamente nele (Ef 3.17).

3) Abriu a Casa de Deus (2Cr 29.3) – Acaz havia fechado a Casa de Deus. Agora, Ezequias abre a Casa de Deus. Quando o culto santo ao Deus vivo está em baixa, a nação está em crise. Se o pecado é o opróbrio das nações, a nação que teme ao Senhor é feliz. A Casa de Deus deve ser lugar de encontro com Deus. A Casa de Deus precisa ser lugar de salvação e não de desvio.

4) Santificou os obreiros da Casa de Deus (2Cr 29.5) – Não apenas o templo precisa ser santificado, mas também os obreiros. Deus leva a serio sua obra. Deus está mais interessado em quem nós somos do que no que nós fazemos. Vida precede ministério. Deus não requer apenas ajuntamento, ele quer vida santa. Não basta apenas pisar nos átrios da Casa de Deus, é preciso ter vida santa.

5) Restaurou os dízimos na Casa de Deus (2Cr 31.5,6,11,12) – Onde o coração se volta para Deus o povo traz com abundância dízimos e ofertas. O dízimo é um aferidor do coração. Ele mede a nossa temperatura espiritual. A reforma religiosa passa pela devolução dos dízimos. Disso depende o sustento da Casa de Deus. Deixar de devolver os dízimos é desamparar a Casa de Deus. Devemos trazer todos os dízimos para que haja mantimento na Casa de Deus. O dízimo é santo ao Senhor. Não podemos retê-lo, subtraí-lo nem administrá-lo.

6) Celebrou a Páscoa com grande entusiasmo (2Cr 30.23,25,26,27) – Ele fez da Páscoa um encontro missiológico. Ele mandou mensageiros convidar os filhos do pai que não estavam em Jerusalém, os restantes das tribos do norte que estavam entregues ao seu infortúnio (2Cr 30.9,10). Alguns rejeitaram e escarneceram (2Cr 30.10b), porém, outros aceitaram o convite e vieram e foram salvos (2Cr 30.11,12). Nosso culto precisa sempre ter uma perspectiva missiológica. Deus é glorificado quando os filhos do Pai que estão longe se chegam e assim se unem a nós na glorificação do seu nome. Desse evento podemos aprender algumas lições:

a) A Páscoa gira em torno do Cordeiro – O centro da Páscoa era o Cordeiro, assim como o centro do culto é Cristo. Jesus é o nosso Cordeiro pascal. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (1Co 5.7; Jo 1.29). Não há razão para nos reunirmos se Jesus não for o centro dessa reunião. Não somos um clube, uma associação. Somos a igreja de Deus que celebra adoração ao Cordeiro de Deus.

b) A Páscoa fala da libertação do cativeiro = Salvação – Nós celebramos a festa da salvação. Este não é um encontro social apenas. Estamos aqui testemunhando o que Deus fez por nós em Cristo. Ele nos libertou. Ele nos tirou do cativeiro, da casa do valente, da potestade de Satanás, do império das trevas. Algo glorioso aconteceu conosco. Deus mudou a nossa sorte. Somos a comunidade daqueles que foram libertos pelo sangue do Cordeiro (Ex 12.13). Nossa libertação foi obra exclusiva da graça. Deus suspendeu o castigo que viu o sangue do Cordeiro.

c) A Páscoa fala da necessidade de tirar o fermento = Santificação – A Páscoa é uma reunião de pessoas que se apartam do pecado (1Co 5.6-8). Os que conhecem a Deus se consagram a ele. Fomos eleitos para a santidade. Fomos salvos para sermos luz. Os que têm esta esperança se santificam como ele é santo.

d) A Páscoa fala da reunião de todo o povo = Comunhão – Todos as famílias deviam vir. Homens, mulheres e crianças. Mas outros deviam ser convidados. Os que vieram das tribos do norte não tinham mais os ritos de purificação, então Ezequias ora por eles, sabendo que Deus vê o coração e diz a Bíblia que Deus ouviu a oração de Ezequias e sarou a alma do povo (30.18-20). Deus está mais interessado na motivação do coração do que em ritos. Ezequias era um homem sensível espiritualmente. Ele era um intercessor. Ele não aplaudiu o fracasso das tribos do Norte. Ele não os via como rivais. Ele tinha compaixão e aproveitou a oportunidade para convidá-los a vir participar com eles das bênçãos do Senhor. Precisamos ter a visão evangelizadora de Ezequias.

e) A Páscoa fala da celebração efusiva = Adoração – O povo cantou, celebrou com alegria e ao final daquela semana, ainda permaneceram mais uma semana (2Cr 30.23-27). Eles transcenderam na sua alegria e no seu amor por Deus. O culto é uma festa. O culto é um testemunho às nações. É uma celebração daquilo que Deus fez por nós em Cristo.

IV. DISPOE-SE A CONFIAR EM DEUS DIANTE DE CIRCUNSTÂNCIAS DESESPERADORAS – (2Rs 19.19)

1. A primeira investida da Assíria rechaçada (2Rs 18.7) – A Assíria já havia invadido e tomado o Reino do Norte. Seus irmãos já haviam sucumbido ao poderio militar dessa potência mundial. Agora, esse mesmo império guerreiro, expansionista, truculento, e sanguinário cerca Jerusalém e exige rendição. Porém, Ezequias rebelou-se contra o rei da Assíria e não o serviu (2Rs 18.7).

2. A segunda investida da Assíria, o acordo apressado (2Rs 18.13,14) – Na segunda ocasião o rei da Assíria invade todas as cidades fortificadas de Judá e Ezequias sucumbe ao seu poder e paga ao rei da Assíria pesados tributos, além de dar toda a prata da Casa de Deus e os tesouros da Casa do Rei, bem como, tirou o ouro das portas do templo e das ombreiras para dá-los a Senaqueribe (2Rs 18.15,16).

3. A terceira investida da Assíria, a confiança em Deus prevalece

a) A ameaça do inimigo (2Rs 18.22,30,32b,35) – Rabsaqué afrontou a Ezequias, dizendo que a sua confiança em Deus não podia livrar sua cidade do poder do rei da Assíria.
b) A promessa da Palavra de Deus (2Rs 19.6,7) – Deus diz para o seu povo não temer suas palavras e ameaças, pois vai fazê-lo voltar à sua terra e ser morto pelos seus próprios filhos. Ezequias encoraja o povo a confiar em Deus apesar das circunstâncias, pois aquele que está conosco é mais poderoso para livrar (2Cr 32.7,8).
c) A oração por livramento (2Rs 19.14-19) – Ezequias adora e exalta a Deus e ora para que no livramento o nome de Deus seja glorificado e conhecido entre todos os reinos.
d) A resposta da oração (2Rs 19.28,33,34) – Deus sai em defesa do seu povo e afasta o inimigo.
e) O livramento de Deus (2Rs 19.35) – Deus envia um anjo e 185 mil soldados assírios são mortos. O rei volta para sua terra e é morto por seus próprios filhos.

V. DISPOS-SE A SE HUMILHAR DIANTE DE DEUS E ORAR POR SUA PRÓPRIA CURA – (1Rs 20.1-5)

1. Uma ordem urgente – (2Rs 20.1)

Deus diz a Ezequias por intermédio de Isaías: Põe em ordem a tua casa, porque certamente morrerás e não viverás (Is 38.1). Sua vida está em ordem? Sua casa está em ordem? Você está preparado para morrer? Se não, certamente você não está preparado para viver.

2. Uma oração fervorosa regada de lágrimas – (2Rs 20.2,3)

Ezequias se humilhou diante de Deus. Ele exaltou seu coração diante de Deus: talvez pela sua riqueza. Talvez pelas suas conquistas. Mas, agora, ele se humilha e Deus ouve sua oração.

3. Uma resposta imediata de Deus – (2Rs 20.4,5)

Deus dá mais do que o rei pede. Dá cura para a doença e vitória contra o inimigo. Deus afasta a doença e afasta o adversário. Tanto a doença quanto o inimigo estavam sob o controle de Deus.

4. Uma vitória extraordinária – (Is 38.20)

Ezequias agora, toma a decisão de louvar a Deus na sua casa todos os dias da sua vida. Alguns estudiosos crêem que o Salmo 116 foi escrito por Ezequias. Outros crêem que o Salmo 126 foi escrito por ele depois do livramento do cerco de Senaqueribe.

CONCLUSÃO

Ezequias foi um homem que fez uma reforma porque buscou a Deus, obedeceu a Deus, e confiou em Deus. Ele agarrou-se a Palavra e à oração. Ele preferiu ouvir o profeta de Deus, a atender às ameaças dos poderosos.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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