O que fazer com os pagãos

Foto: Internet
Os irmãos estavam com sentimentos variados durante aquela reunião. Podia-se perceber um misto de alegria e de apreensão no ar enquanto Paulo e Barnabé contavam os maravilhosos feitos que Deus havia feito no meio dos gentios pagãos! “Centenas haviam abandonado a adoração aos ídolos e se convertido ao Senhorio de Jesus. Esses novos convertidos estavam cheios do fogo do Espírito Santo e proclamavam o evangelho de Deus com tremenda ousadia”, compartilhavam os apóstolos Paulo e Barnabé.

Contudo, nem todas as pessoas ouviam os testemunhos com o mesmo entusiasmo. O partido dos fariseus messiânicos estava cheio de apreensão com o que poderia acontecer com a igreja a partir da conversão desses gentios pagãos. Eles entendiam que, para manter a igreja pura e protegida, os novos convertidos deveriam se circuncidar e guardar toda a lei de Moisés com as suas prescrições relacionadas aos alimentos, às festas, aos dias sagrados e tudo o mais. Pela primeira vez, a igreja enfrentava um problema que requeria uma reflexão teológica: “O que fazer com os pagãos?”
Até então a igreja tinha sido primariamente formada por judeus que reconheciam que Jesus era o Messias. Esses primeiros cristãos guardavam praticamente intactos os elementos da sua própria cultura judaica – a língua, as festas, os sábados e as tradições, relendo, todavia, as profecias e as promessas com as novas lentes do evangelho de Jesus Cristo. Por ser um judeu-cristão, por exemplo, Paulo celebrava as festas judaicas. Na ocasião em que foi preso, ele estava em Jerusalém, participando em uma das festas judaicas.
Entretanto, esse mesmo Paulo, que guardava as tradições judaicas, se indignou com a sugestão do partido dos fariseus! Ele entendia que os judeus quando se convertem a Jesus devem manter a cultura judaica; mas os gentios pagãos quando se convertem a Jesus não devem absorver a cultura judaica! O evangelho de Jesus não está aprisionado aos elementos culturais do Judaísmo como defendiam os fariseus cristãos! “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5.1), Paulo escreveu aos cristãos da Galácia anos depois desse Concílio em Jerusalém.
Paulo pôde escrever essas palavras aos cristãos da Galácia porque os líderes da igreja primitiva fizeram teologia e história quando se depararam com o problema dos pagãos (At 15). Eles entenderam que o evangelho de Jesus não está aprisionado a nenhuma cultura em particular. Mesmo tendo nascido dentro da cultura judaica, o evangelho não é escravo dos elementos culturais do lugar onde nasceu. O evangelho é poderosamente supra cultural! Os judeus podem reler e redimir os diversos elementos da sua cultura na sua adoração a Jesus; e da mesma maneira os gentios podem reler e redimir os inúmeros elementos das suas culturas quando adoram a Jesus.
Quando as pessoas não entendem a supra culturalidade do evangelho, elas valorizam intensamente a cultura do lugar de onde receberam as boas novas. Por isso, elas colocam ternos de lã nos sertanejos, tocam músicas com piano clássico nos cultos dos baianos e excluem a movimentação do corpo nos cultos africanos. Elas exaltam e santificam uma cultura em particular, mas desprezam e demonizam a cultura das outras pessoas.
Mas, graças a Deus pelos primeiros líderes da igreja, os judeus Pedro, Tiago, Paulo, Barnabé e outros! Se o partido dos fariseus cristãos tivesse vencido aquele debate em relação aos gentios cristãos não existiria a beleza da diversidade cultural na igreja global. Todos falaríamos o mesmo idioma, vestiríamos as mesmas roupas, teríamos a mesma liturgia nos cultos, usaríamos os mesmos instrumentos musicais e precisaríamos gostar das mesmas comidas.

Pr. Gustavo Bessa
Fonte: http://www.lagoinha.com/

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