“Nunca se esqueçam de Deus”

Foto: Arquivo Pessoal
O romancista e historiador russo Alexandr Solzhenitsyn (1918-2008), Nobel de Literatura em 1970, recebeu, em 1983, o prêmio da Fundação Templeton, em Londres. Seu discurso, para um público ilustre da sociedade britânica, teve como título: “Nunca se esqueçam de Deus”. Na introdução, ele afirma: “Mais de meio século atrás, quando eu ainda era uma criança, lembro-me de ouvir vários idosos dando a seguinte explicação para o grande desastre que caiu sobre a Rússia: o homem se esqueceu de Deus; foi por isso que tudo aconteceu”.
Por mais de 50 anos, ele estudou a história da Revolução Russa, leu centenas de livros, ouviu inúmeros testemunhos pessoais e escreveu oito volumes no esforço de compreender o que aconteceu, e afirmou no seu discurso: “Se me fosse pedido hoje para formular, o mais precisamente possível, a causa principal desta trágica revolução que solapou a vida de 60 milhões de pessoas, não poderia colocar de forma mais precisa do que repetir: o homem esqueceu-se de Deus. Esta é a razão por que tudo aconteceu”.

A religião sempre foi reconhecida como o meio que preserva e mantém uma sociedade ou nação mais coesa. Quando a fé diminui e a religião desaparece – é isso que chamamos de secularização -, os modelos de associação humana tornam-se fragilizados. Quando as convicções pessoais se perdem e começamos a agir conforme nossos instintos ou de acordo com aquilo que julgamos natural, fica impossível sustentar uma sociedade sem o uso de outras forças. No final, temos a violência ou algum tipo de totalitarismo.
O salmista levanta uma pergunta crucial para nós, hoje: “Destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?”. Sem os fundamentos espirituais, a justiça se perde, rapidamente. Sem o temor de Deus, tudo é possível. Política, negócios, prazer, riqueza, trabalho, ciência e a religião, sem o temor de Deus, perdem seus princípios e, quando se perde a consciência de Deus, quando já não existe mais o respeito pelo divino, o ser humano perde sua identidade básica de criatura.
Solzhenitsyn conclui seu discurso dizendo: “Nossa vida não consiste na busca do sucesso material, mas na busca de crescimento espiritual. Toda a nossa existência terrena é uma transição em direção a algo maior, e não podemos tropeçar e cair, nem devemos ficar inutilmente parados em um degrau da escada. As leis materiais não explicam a vida nem podem dar-lhe algum sentido. As leis da física e da fisiologia nunca revelarão a forma misteriosa como o Criador, constantemente, dia após dia, participa da vida de cada um de nós, nos concedendo a energia da existência; quando esta assistência nos deixa, nós morremos. E na vida de todo o nosso planeta, o Divino Espírito certamente se move com não menos força. É isto que precisamos entender nessa hora escura e terrível”.
O que é verdadeiro para a pessoa o é também para a nação. A intensificação do secularismo penetra, de forma cada vez mais profunda, a consciência humana a ponto de negar a realidade divina ou, na melhor hipótese, mantê-la restrita no mundo privado de cada um. O ser humano sem Deus e sem o temor de Deus perde sua identidade, esquece seus fundamentos e vive como um barco à deriva.
Não podemos nos esquecer de Deus. O apóstolo Paulo afirma que nEle (Cristo) nos movemos e existimos. Não há vida real sem Deus e essa verdade se aplica à pessoa e à sociedade. A advertência de Moisés para o povo de Deus foi: “Se te esqueceres do Senhor, teu Deus, e andares após outros deuses, e os servires, e os adorares, protesto, hoje, contra vós outros que perecereis” (Dt 8.19). Nunca se esqueçam de Deus.

Por Ricardo Barbosa de Sousa – Ultimato / Lagoinha.com

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