Os laços e nós

nó
“Como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens” (Ec 9.12).
Usamos laços como enfeites, mas eles também servem para prender e amarrar. O laço citado em Eclesiastes é um tipo de armadilha para aves. Se pegar uma galinha no quintal pode ser um desafio, o que dizer de se capturar um pássaro? Na falta da agilidade necessária, o homem usa a astúcia. O laço é um nó frouxo, feito com uma corda e armado de tal maneira que possa prender automaticamente a ave que nele tocar.
“Cairá a ave no laço em terra, se não houver armadilha para ela? Levantar-se-á da terra o laço, sem que tenha apanhado alguma coisa”? (Am 3.5).

A figura do laço pode ser usada como símbolo dos vínculos relacionados à vida humana. Alguns são necessários e importantes. Outros são prejudiciais. O nascimento nos coloca no contexto dos laços sanguíneos e familiares. A falta ou rompimento imediato desses vínculos causa problemas que podem durar a vida toda. Com o crescimento vem o desejo de se libertar. O adolescente quer se soltar cada vez mais. A palavra “solteiro” representa bem esse estado. Na medida em que se afasta da família, o jovem cria novos vínculos fora de casa.
“Como a ave que vagueia longe do seu ninho, tal é o homem que anda vagueando longe da sua morada” (Pv 27.8).
As amizades são importantes, mas podem ser laços perigosos. É preciso que se tenha cuidado (Pv 22.24). Os relacionamentos afetivos são conexões mais fortes. O sexo também estabelece vínculos físicos, morais e espirituais entre as pessoas, seja no casamento ou fora dele (1Co 6.16). Portanto, não deve ser praticado levianamente. Os filhos também representam elos permanentes entre os pais. No decorrer da vida, vamos criando ligações essenciais ao equilíbrio psíquico e emocional. Alguns laços são desnecessários, como aqueles representados pelos vícios, sejam do fumo, do álcool e outras drogas. São formas de escravidão e destruição. A juventude é um tempo de definições. O jovem deve pensar bem antes de se amarrar de qualquer maneira. Seu caminho está cheio de ciladas para capturá-lo.
“Porque ímpios se acham entre o meu povo; andam espiando, como quem arma laços; põem armadilhas para prenderem os homens. Como uma gaiola está cheia de pássaros, assim as suas casas estão cheias de engano” (Jr 5.26-27).
Aves e homens são capturados da mesma forma. Tudo começa com o desejo ou simples curiosidade. Primeiro, a atração. Em seguida, aproximação. Depois, o envolvimento e algum tipo de satisfação imediata. No momento seguinte, quando se pretende fugir, pode ser tarde demais. A certa altura da vida, o indivíduo pode se ver todo amarrado, todo enrolado. Encontra-se preso a diversas pendências do passado, relacionamentos mal resolvidos, filhos distantes, pensões alimentícias, dívidas impagáveis e processos judiciais.
“Quanto ao ímpio, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido” (Pv 5.22).
“A boca do tolo é a sua própria destruição, e os seus lábios um laço para a sua alma” (Pv 18.7).
“A doutrina do sábio é uma fonte de vida para se desviar dos laços da morte” (Pv 13.14).
“Vejo que estás em fel de amargura e laço de iniquidade” (At 8.23).
Tome cuidado com as ciladas. Todas elas contêm um atrativo, uma isca, sem a qual não funcionará. Para capturar um pássaro, o laço deve conter sua comida preferida. Da mesma forma, Satanás procura nos prender com as coisas que nos atraem e agradam.
Davi caiu no laço do relacionamento com Bateseba, causando grandes problemas para si e para outros.
Sansão foi enlaçado por Dalila e assim encontrou a prisão e a morte.
Laços criam responsabilidades. Algumas, mesmo surgindo de situações indevidas, devem ser mantidas e honradas. Os sagrados laços do matrimônio devem ser honrados. Os filhos devem ser amparados e sustentados.
Muitos buscam uma libertação sobrenatural, quando está nas próprias mãos o livramento através da decisão correta.
“Livra-te, como a gazela da mão do caçador, e como a ave da mão do passarinheiro” (Pv 6.5).
Há, porém, situações que envolvem laços espirituais, também chamados “astutas ciladas do Diabo” (Ef.6.11) que só podem ser quebradas pelo poder de Deus.
“Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade, e tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo” (2Tm 2.25-26).
Certa vez, o salmista, sentindo-se preso pelas forças do mal, disse: “As cordas do inferno me envolveram; os laços da morte me alcançaram. Na minha aflição clamei ao Senhor; gritei por socorro ao meu Deus. Do seu templo ele ouviu a minha voz; meu grito chegou à sua presença, aos seus ouvidos” (Salmo 18.5-6).
Deus ouviu e atendeu ao clamor de Davi. Deus ouve e liberta os seus filhos. Clame ao Senhor por libertação.
“Porque ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa” (Salmo 91.3).
Em outro salmo encontramos esta gloriosa declaração: “A nossa alma escapou como um pássaro do laço do passarinheiro; o laço quebrou e nós escapamos” (Salmo 124.7).
Finalmente, a Bíblia fala dos laços de forma positiva referindo-se ao desejo de Deus de nos prender a ele. “Eu os atraí… com laços de amor” (Oseias 11.4). Acima de tudo, deve estar o nosso vínculo com Deus. Não podemos viver soltos e independentes. Vivamos ligados ao Senhor sem, jamais, abrir mão deste maravilhoso compromisso.

Fotos: Internet
Pr. Anísio Renato de Andrade
Fotos: Lagoinha.com

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