Como praticarmos as primícias hoje

oferta
O assunto das primícias tem sido resgatado e restaurado recentemente (apesar de ser encontrado na “Didaquê” – um dos documentos mais antigos da História da Igreja, uma espécie de catecismo da Igreja do Primeiro Século). Eu mesmo nunca havia sido exposto a nenhum ensino sobre o assunto até alguns anos, apesar de ter sido criado num lar cristão. Portanto, creio que ainda precisamos amadurecer na compreensão e aplicação prática deste princípio. Em função disto, gostaria de apresentar alguns conselhos (e não dogmas) sobre como podemos proceder para honrarmos ao Senhor com as primícias da nossa renda.

Alguns pregadores fazem uma distinção entre as primícias e os dízimos (e de fato era assim no Antigo Testamento) e ensinam o cristão a, além de entregar os seus dízimos, a também doar o equivalente ao ganho do seu primeiro dia de trabalho do mês. Uma vez que vivemos numa cultura de trabalho diferente, em que a maioria das pessoas não extrai os frutos da terra ou do gado para separar as primícias, como era feito na Antiga Aliança, esses pregadores nos aconselham a dividirmos o salário (que é um ganho mensal) em 1/30 avos, e entregarmos o ganho equivalente ao primeiro dia de trabalho do mês. Esta, acreditam eles, seria a forma contemporânea de se praticar este princípio.
Outros pregadores ensinam a prática das primícias na própria entrega de dízimos e ofertas. Eles acreditam que os dízimos (e ofertas) devem ser entregues em caráter de primazia, ou seja, como sendo os primeiros frutos. A primazia, segundo esses pregadores, é determinada pelo fato de não gastarmos nada antes de dizimarmos.
Embora tenha sido ensinado desde criança que a oferta das primícias significa darmos a primazia a Deus na entrega de dízimos e ofertas (como sendo os primeiros frutos porque os entregamos antes de gastarmos com outras coisas), e embora ainda veja muitas pessoas sendo abençoadas ao caminharem de acordo com este grau de entendimento, creio que podemos ir além e fazer algo mais na prática desta poderosa lei bíblica.
À luz do ensino do Novo Testamento, não consigo (nem ouso) afirmar que a entrega das primícias tenha que ser, necessariamente, uma contribuição a mais, além dos dízimos e demais ofertas. E não quero afirmar, em hipótese alguma, que a visão de contribuirmos, dando a Deus a primazia, não cumpra a Lei das Primícias. Por outro lado, não vejo nada nas Escrituras que nos impeça de agirmos assim. Não há nenhum princípio bíblico que venha a ser quebrado se assim procedermos. Portanto, com a devida consciência do ensino bíblico que diz “A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus” (Rm 14.22), e sem impor isto como um mandamento ou obrigação sobre outros, pergunto: Por que não entregarmos as nossas primícias como mais uma forma distinta de contribuição?
No Antigo Testamento, os dízimos e as primícias eram duas contribuições bem distintas e complementares. Os cristãos do Primeiro Século, segundo a Didaquê, entregavam as suas ofertas de primícias (normalmente aos profetas ou líderes cristãos), embora estivessem vivendo sob a Nova Aliança. Os sacerdotes da Antiga Aliança eram sustentados pelos dízimos; porém, eram honrados com as primícias. O Novo Testamento fala desse sustento dos ministros por meio de salários (2Co 11.8 / 1Tm 5.17), mas nos instrui a procedermos com outras formas de honra aos que nos ministram a Palavra de Deus (Gl 6.6).
O fato de não podermos impor a oferta de primícias não significa que não podemos praticar este princípio. Em nossa igreja local, não ensinamos isto como uma imposição a ninguém, mas eu pratico esse princípio e dou total liberdade (e incentivo) a quem quiser praticá-lo também. Contudo, uma vez que não vivemos nos dias da Antiga Aliança e não temos que seguir literalmente a Lei Mosaica, como aplicamos hoje a entrega das primícias?
No Antigo Testamento, as primícias envolviam a entrega dos primeiros frutos da colheita (que ocorria num intervalo de alguns meses), dos primogênitos dos animais (que ocorria uma vez na vida de cada animal), e dos primogênitos dos homens (que deveriam ser resgatados). Isto não significava uma contribuição substancial, a ponto de se garantir a sobrevivência dos sacerdotes, mas era apenas mais uma expressão de honra que Deus permitiu que Lhe oferecêssemos. E é com esse entendimento que praticamos a entrega das primícias.
Muitos também me perguntam onde deveriam entregar as suas ofertas de primícias. Sugiro que o façam no mesmo local onde entregam os seus dízimos: na igreja em que congregam. Alguns dizem que as primícias devem ser entregues ao sacerdote. Isto era um fato na Antiga Aliança, mas, naquela época, os sacerdotes também recebiam diretamente para si os dízimos, porém, isto não ocorre no Novo Testamento.
Portanto, prefiro ser honesto e não “enlatar” a doutrina sem uma clareza bíblica. Não vejo uma base bíblica para dizermos que as primícias só podem ser entregues aos sacerdotes (os ministros). Por outro lado, também não vejo problema algum se isto for feito dessa forma, uma vez que a Bíblia ensina esse tipo de honra (embora sem necessariamente relacioná-lo com as primícias). Só não desejo criar regras que não são claras no Novo Testamento. O ideal é que cada igreja, por meio da sua liderança e governo, decida qual é a melhor forma de se receber essa contribuição, como também a sua melhor aplicação.

Fotos: Internet
Pr. Luciano Subirá
Fonte: Lagoinha.com

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