Perseverança

“Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração” (Romanos 12.12)
Um sonho! Esta foi a sensação no domingo do Dia das Mães no Parque Municipal de Belo Horizonte. Um encontro marcante: minha mãe, minha filha, uma irmã, sobrinhos, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e eu. O Parque estava cheio de ouvidos atentos às obras de Sivuca.
Todos os instrumentos abrilhantavam o acordeom ou a sanfona como meu pai costumava chamar aquele instrumento que tocava tão bem. Um dia lindo: levamos lanchinhos, uma toalha para forrar a grama e, depois de nos deliciarmos com cada nota musical, o que ouvimos foram nossas próprias vozes e risos. Três gerações em um encontro maravilhoso!

Até que chegou a hora de cada um partir para sua casa. Saímos. Foi quando tive que despertar do sonho e encarar, literalmente, a realidade. Minha filha e eu entramos no carro, deixamos os vidros abertos para sair o ar quente e, em menos de cinco minutos, no primeiro sinal vermelho, fomos abordadas por um homem que exigia aos berros tudo o que tínhamos. Ele dizia que se não entregássemos tudo e rápido, cortaria a minha filha com o caco de vidro que pressionava contra o braço dela.
Foram segundos intermináveis de terror. Então, me lembrei porque nunca ando com os vidros do carro abertos. Lembrei que havia mais de dez anos que não ia ao parque, e o motivo que me fez afastar de um espaço ainda bonito e preservado de BH. Lembrei-me também dos meus medos, das minhas fraquezas e da realidade do cotidiano.
Depois do susto ficamos por alguns segundos caladas. O coração se mostrando na blusa e as mãos trêmulas. Fizemos o resto do trajeto até nossa casa com os vidros fechados. Quando paramos ligamos para a polícia e oramos por aquele moço que, certamente, ainda não encontrou com o amor de Deus.
E a vida continua… Cada dia mais nos levando ao esmorecimento. Parece que nossa oração pelo perdido e nosso empenho ministerial não adiantam nada. Cada dia o mal se multiplica como um incêndio na floresta seca e a nossa atitude certa é somente uma gota. Dá vontade de parar. Desistir.
Nesta hora é que eu olho para o caminho do Calvário de Jesus. Ele também olhou para mim e viu o quanto eu banalizaria o seu imensurável sacrifício e mesmo assim não desistiu de mim. Foi até o fim. Eu não posso desistir!
“Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis” (Romanos 12.14).
Por Nilma Gracia Araujo.

Fonte: lagoinha.com

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