O que caracteriza uma falsa conversão?

No mercado existe aquilo que conhecemos por pirataria. Trata-se de produtos falsificados que são comercializados com a aparência de original. Essa falta de originalidade também pode ser observada em relação às pessoas. Isso porque no decurso da história, muitos se passavam por verdadeiros crentes na aparência, mas na verdade eram falsificados. Eram crentes piratas. Esse tipo de pessoa também viveu na época do profeta Oséias e foi denunciado por ele. 
Oséias dirigiu sua mensagem, em sua grande maioria, ao Reino do Norte (Israel). Ele profetizou quando Jeroboão II era o rei de Israel. Período em que a nação se expandira bastante, mas espiritualmente vivia um tempo negro. 

Oséias denunciou a infidelidade do povo ao Senhor e pregou o arrependimento. Caso isso não acontecesse, o juízo viria, como de fato veio por meio da destruição pelas mãos dos Assírios. 

O texto lido é uma repreensão acerca da vida religiosa vazia daquele povo. Oséias denuncia os sacerdotes, mas também todo o povo. Nesta denúncia podemos visualizar uma conversão que é apenas aparente, porém não é verdadeira. Vejamos como se caracteriza uma conversão falsa: 

1 - RELIGIOSIDADE SEM VIDA (1-3,6)

“Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra. (1-3). Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (6). 

Os três primeiros versículos constituem uma oração de arrependimento. No entanto, o Senhor rejeita esta oração porque ela não se fundamentava no amor e no verdadeiro conhecimento de Deus. Essa rejeição é indicada no v. 4. “Que te farei, ó Efraim? Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa.” 

O motivo de se fazer menção a Efraim era porque esta era a principal tribo do reino do Norte, também chamado Israel. Portanto, Deus rejeita o tipo de religiosidade exercida tanto em Israel quanto em Judá.

O princípio que fica claro aqui é que uma religiosidade sem vida é rejeitada pelo Senhor. Mas o que seria isso? É quando se acredita que o que se faz fora do templo não interfere naquilo que é feito dentro. É quando se crê que Deus aceita o culto sem levar em consideração o tipo de vida que se tem fora do templo. É quando se concebe a idéia de que Deus não está atento para o fato de nossas orações e cânticos serem verdadeiros ou não. 

Enfim, é quando se acredita que Deus se ilude com belas palavras e suposto arrependimento. O Senhor condenou isso por intermédio de seu profeta.

O mesmo ocorreu com Jesus que, igualmente, condenou a falsa religião. Num dado momento, ele advertiu os anciãos que se preocupavam com preceitos religiosos, porém viviam de maneira perversa. 

A estes Jesus chamou de hipócritas (artistas) e completou citando o texto de Isaías. “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15.8). 

João fez o mesmo, chamando os fariseus de “raça de víboras” quando estes iam até ele com o objetivo de receberem o batismo. No entanto, a motivação destes homens não era uma conversão genuína, mas o desejo de serem líderes daquela grande multidão que ia até João (Mt 3.7).

Diante do fato de que a religião vazia não é aceita por Deus, devemos entender isso: Ninguém pode fingir toda a vida. Com o tempo o falso religioso será revelado. 

Ou, com tempo, ele abandonará a falsa religião de vez para viver de acordo com suas paixões. Acerca disso escreveu William Spurstowe: “A religião que tem início na hipocrisia certamente acabará em apostasia.” E o que é pior de tudo: Para os falsos religiosos é prometida a ira e o juízo de Deus caso não haja arrependimento verdadeiro.

Enfim, um culto agradável a Deus somente pode ser prestado por aqueles que verdadeiramente passaram pela experiência da conversão. Qualquer cerimônia religiosa que não passe pelo crivo desse critério, será no máximo, uma expressão de religiosidade, porém, sem conteúdo. Será como uma nuvem sem água, uma estrela errante que embora brilhe caminha para a escuridão eterna.
2 - INCONSTÂNCIA (v. 4).
“Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa.”

A religião vazia era decorrente de um problema que existia entre os israelitas – a inconstância. O texto deixa claro a indignação de Deus por conta da oscilação do amor e da fidelidade do povo. Para isso são usadas as imagens de “nuvem da manhã” e “orvalho da madrugada”. Com estas imagens, Deus lamenta a qualidade temporária do amor de Israel e Judá. 

Por conta desta instabilidade, conforme o v.5, Deus o povo por meio dos profetas e os pecados seriam denunciados tal como a luz que revela o que está oculto (v.5). O povo tentava justificar sua inconstância com simples religiosidade. No entanto, como já vimos, era uma religiosidade vazia, logo era rejeitada por Deus.

O princípio exibido aqui é evidente – Deus não se satisfaz com dedicação momentânea. O parâmetro para isso é Ele mesmo, visto que é fiel ao compromisso assumido com seu povo. Portanto, Ele requer perseverança!

Na parábola do semeador, Jesus deixou claro que conversão, não é aquilo que ocorre quando a palavra é recebida com simpatia, no entanto, com as dificuldades, o caminho da retidão é abandonado. Nem tampouco, conversão é quando a palavra é ouvida, mas os cuidados do mundo e a fascinação pelas riquezas sufocam a palavra. Jesus, enfim, ensina que conversão verdadeira é aquela onde a palavra semeada permanece e dá frutos (Mt 13.21-23).

Sendo assim, conversão verdadeira é marcada pela perseverança. Perseverança na fé, na produção de frutos, na constância do amor fraternal. Conversão verdadeira não é inconstante, pois ela determina o procedimento do cristão pelo resto de sua vida. A conversão sincera determina o rumo da vida do cristão e norteia as suas escolhas. 

3 - OBRAS ÍMPIAS (v.7-10). 

“Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim. Gileade é a cidade dos que praticam a injustiça, manchada de sangue. Como hordas de salteadores que espreitam alguém, assim é a companhia dos sacerdotes, pois matam no caminho para Siquém; praticam abominações. Vejo uma coisa horrenda na casa de Israel: ali está a prostituição de Efraim; Israel está contaminado”.

Os princípios anteriores resultam no princípio óbvio exibido nos versículos 7-10. Se a religiosidade de alguém é vazia pelo fato de ser ela inconstante, logo, suas obras serão ímpias. De acordo com o profeta todo o povo cometia obras más. Tentavam enganar ao Senhor com uma aparente piedade. As pessoas relacionavam-se com prostitutas no templo para cultuar a Baal. Para esse mesmo fim, crianças eram sacrificadas. 

O governo buscava a proteção não em Deus, mas no Egito e na Assíria. Os sacerdotes eram corruptos e ladrões, e graves injustiças sociais eram cometidas. Tratava-se de um povo infiel, adúltero e traidor. 

Uma conversão sem sinceridade é denunciada pelas obras. Jesus ensinou esse princípio comparando a vida de um homem como uma árvore. Segundo ele, uma pessoa é conhecida pelos seus frutos (Mt 7.16,20). 

Tiago deixa claro que que uma fé verdadeira é comprovada por suas obras. Sendo assim, conforme ele deixa claro, “a fé sem obras é morta” (Tg 2.26). O apóstolo Paulo demonstra que um homem que se curva verdadeiramente diante de Cristo tem uma nova vida (Rm 6.4), é nova criatura - “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Cor 5.17). 

Com base na sua própria vida, Paulo declara que um homem que se rende a Cristo tem sua vida determinada pela fé. Por isso ele escreveu: “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.20). 

Portanto, uma conversão genuína é caracterizada não apenas por uma confissão de fé, mas essencialmente por uma vida de fé, de santidade, de serviço, de amor ao próximo em suma, de fidelidade a Deus. Benajmim Warfield, professor do seminário de Princeton certa vez disse: “O cristianismo não é meramente um programa de conduta; é o poder de uma nova vida”.

Conclusão
Portanto, assim como há produtos piratas no mercado, o povo de Deus sempre sofreu com a presença de crentes piratas. Esse tipo de pessoa é caracterizada por exercer uma religiosidade sem vida, por ser inconstante e pelas suas obras que são más. Que a graça de Deus seja sobre todos de sorte que nossa confissão de fé seja acompanhada por um culto verdadeiro, pela perseverança e pelas boas obras.

Por Pr. Carlos Eduardo Pereira de Souza
Fonte: http://www.semeandovida.org

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