“Depois do Carnaval a gente fala sobre isso

Passadas as festas do Natal e do Ano Novo, chegamos, enfim, a um novo ano. Já deu para perceber que ficou tudo na mesma e que a vida segue com seus desafios. Mas muitas pessoas, infelizmente, pretendem continuar de folga até a próxima festa nacional que será o Carnaval. Nossa cultura brasileira tem um olhar especial para essa festa. Ela, literalmente, marca o início do ano e não o dia 1º de janeiro, acredite. Muitos insistem na ideia de que o Brasil só começará a funcionar depois do Carnaval. Já estamos com isso tão incrustado na mente que só com muita força de vontade, mudança de mentalidade e oração conseguimos nos libertar.

Aliás, Chico Buarque compôs uma canção intitulada “Quando o carnaval chegar” e faz interessantes colocações que revelam a alma do brasileiro no período compreendido entre o Natal e o Carnaval. A letra parece vinda do interior do inconsciente popular e encerra a verdade incrustada na alma do brasileiro de que o mundo para durante esse período. No Natal e na virada do ano se pode e se deve ser religioso, afinal, todo mundo aceita que Deus nos deu a vida e tudo o que temos, mas no Carnaval será permitido desabafar ao máximo e todos os demônios poderão ser soltos. E a repetição da frase “Tou me guardando pra quando o carnaval chegar” soa como um mantra cuja melodia expressa perfeitamente um desejo ansioso, mas que tem paciência de esperar pelo dia.
“Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar. Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá. Tou me guardando pra quando o carnaval chegar.” Essa intenção descarada de conquistar mulheres parece ser a mola propulsora do Carnaval. Tudo gira em torno da mulher brasileira bonita e formosa, que desfila nua a ponto de atrair interesses internacionais. As autoridades escondem informações, mas nos dias do Carnaval, a prostituição aumenta, milhões de meninas ficam grávidas – então, abortos ocorrerão, em breve –, famílias são destruídas, e por aí vai. Que beijo caro o dessa mulher!
“E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar, e quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar. Tou me guardando pra quando o carnaval chegar.” Com tanto ódio armazenado é evidente que esse cidadão irá fazer bobagem. Lúcido ou bêbado ele irá assassinar alguém. A polícia não revela claramente, mas qualquer um sabe que milhares de pessoas morrem durante o Carnaval decorrente de extravagâncias. As drogas e a bebida causam brigas e assassinatos, mortes no trânsito, violência familiar, e, cada vez mais, vidas são ceifadas desnecessariamente. Será que o investimento público nessa festa vale a pena?
“Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar. Tou me guardando pra quando o carnaval chegar.” Tantos meses guardando essa ansiedade não é de admirar que alguém tenha disposição para varar quatro dias e noites seguidos se acabando fisicamente atrás de um trio elétrico. Depois disso, a desilusão da volta à realidade. Quantos suicídios, quantas depressões, problemas familiares, ressentimentos, quantos jovens introduzidos na prostituição, nas drogas, na bebida, no crime, na malandragem. Apesar de esse tema ser óbvio, o curioso é que ele se repete ano após ano, e parece piorar quanto mais somos conscientes dele. Enquanto o compositor sabe exatamente o que o povo deseja, a Igreja, por sua vez, não segue a mesma tendência, então, segue adormecida. Infelizmente, entre o Natal e o Carnaval muitas igrejas praticamente fecham suas portas. Enquanto os ansiosos por extravasarem os seus desejos carnais continuam cantando os versos dessa canção, muitos ministérios trabalham “meia boca” – quando trabalham –, as ações missionárias diminuem, a secretaria faz meio expediente e muitos pastores tiram férias. Nesse ínterim, milhões de pessoas morrem sem Jesus, outros perdem a oportunidade de conhecê-lo, e os membros das igrejas deixam de ser edificados.
Os cristãos brasileiros precisam, urgentemente, se desvencilhar dessa herança maligna de se guiarem pelo Carnaval porque, enquanto isso, o Diabo, que trabalha duro todo o ano, faz hora extra para roubar, matar e destruir o máximo de gente possível, inclusive, os cristãos distraídos e despreparados. Todos sabem disso, mas cadê a atitude de mudar? Por favor, não venha me dizer que só irá pensar neste assunto depois do Carnaval!
Fotos: Internet
Pr. Atilano Muradas.
Fonte: lagoinha.com

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