Se todos os artigos fossem lidos

Concordo com a maioria que afirma que a vida agitada em que vivemos não nos permite mais ter momentos de tranquilidade para ler um bom livro, sentado no sofá da sala, tomando um bom cafezinho, e ouvindo longas músicas eruditas. Depois da chegada da Internet, do celular, parece que o tempo se foi. Um entrou e o outro saiu. Deveria ser o contrário; eu acreditava. Mas o que se há de fazer? Adaptado ao novo sistema de vida, ando por aí com meu lap top para todo lado, plugado no mundo virtual, comprando, vendendo, me comunicando e lendo. Lendo rápido, claro, pois há milhares de coisas a saber e a fazer, senão fico ultrapassado. Uma corrida inglória. Não venço nunca. Antes, a biblioteca tinha cinco mil livros, agora, tem cem mil, um milhão. As ofertas “virtuais” são de zilhões de itens e mais tentadoras que qualquer loja “real” em liquidação. E tudo a um clique de distância. Tenho que resistir, ser forte, para não estourar os limites dos cartões de crédito trazendo cem mil livros para casa. Mas para quê? Não terei tempo de lê-los se tivesse dez vidas. Consequentemente, passei a ser leitor de artigos virtuais e comprar livros quando realmente são necessários.

Stephen Kanitz, um administrador brasileiro de renome que, em vez de escrever livros grossos como seus contemporâneos, preferiu explorar os artigos. Ele é que estava certo. Definitivamente, o mundo não tem mais tempo para livros imensos – salvo exceções quando se trata de livros didáticos. Mas mesmo esses estão precisando de uma “enxugada”. Li dezenas, centenas de artigos de Stephen Kanitz – incluindo um livro de coletâneas – e centenas de outros autores conhecidos e anônimos, que correspondem, em páginas, a centenas de livros.
Em geral, quem escreve artigos “conscientizadores” é gente séria propondo coisas sérias. Minha consciência sobre ecologia, saúde, finanças, estudo, governo, enfim, vários assuntos, ficou mais apurada. Em alguns textos, as ideias são tão límpidas e brilhantes que imagino terem se esgotado os argumentos. A solução, enfim, chegou ao planeta. Depois da leitura de tantos artigos, minha visão sobre mundo e outros conhecimentos aumentou sobremaneira. Bom e ruim. O desespero também aumentou, pois levo a sério tudo o que leio e, agora, corro contra o tempo tentando atender aos milhões de apelos, buscando ser o mais consciente possível aos inúmeros problemas globais. Haja tempo.
Filosofe: eu li, muitas pessoas leram, mas, será que o texto sensibilizou a quem realmente pode fazer algo que transforme a situação? O presidente leu? O deputado leu, refletiu e tomou uma atitude? O rico ficou sensibilizado? O preguiçoso decidiu trabalhar e estudar? O desmatador resolveu parar de destruir a Amazônia? O veículo de comunicação se retratou? Enfim, algo mudou? Se todos os artigos chegassem às mãos de quem interessa e fossem lidos e vividos, o mundo seria outro. Mudanças aqui e ali são válidas, mas certas coisas têm que ser todo mundo junto e, outras, somente dependem dos governantes, em vários níveis. Sinto-me universalmente impotente para resolver tal questão.
No texto “Tornai-vos praticantes da Palavra e não somente ouvintes” (Tg 1.22), Tiago incentiva as pessoas a terem atitudes pró-ativas assim que lessem artigos como este, que intenta expressar que não basta ler, é preciso praticar. Apesar de um ou outro delírio, o equilíbrio de ideias é muito presente nos textos de hoje. A maioria é sensata e merece crédito. Portanto, praticar é a ordem do dia. Não basta ler; é preciso praticar o que se lê.
Nos jornais, revistas, livros e sites são colocados à sua disposição centenas de artigos e textos maravilhosos e edificantes. O que você tem feito com esses artigos? Entulhado num canto do computador ou da sala para ser jogado fora daqui a um tempo ou tem de fato lido e praticado? Tenho ouvido falar de irmãos que têm arquivado os artigos que mais gosta e lido depois. Ideia boa. Outros me dizem que leem e aproveitam para estudar com a família, os amigos, sozinho. Outra pessoa me disse que coloca no mural do seu trabalho, outro, da escola, etc. Por exemplo, os testemunhos que publicamos são perfeitos para quem tem essa atitude prática. A palavra e a Palavra não voltam vazia, mas se a gente não semear, nunca colheremos.
Portanto, mãos à obra, irmãos. Nós, escritores, fizemos o nosso trabalho de escrever, revisar e publicar os textos. Agora, é a sua vez de trabalhar. Já pensou se todos os artigos fossem lidos pelo maior número de pessoas possível? O mundo seria outro. As pessoas seriam outras. Muito mais gente seria alcançada pelo Evangelho.

Pr. Atilano Muradas – jornalista.

Fonte: Lagoinha.com

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